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    Esses deputados estão fingindo nunca ter apoiado os terroristas após posts comprometedores

    news.movim.eu / TheIntercept · Tuesday, 17 January - 09:02 · 5 minutes

Ao menos quatro deputados federais apagaram das redes sociais mensagens de apoio aos atos de terrorismo praticados por bolsonaristas no dia 8 de janeiro. Depois que as postagens repercutiram mal, André Fernandes, Silvia Waiãpi, Eros Biodini – respectivamente do PL do Ceará, Amapá e Minas Gerais – e Clarissa Tércio, do PP de Pernambuco, bem que tentaram pular do barco golpista e repudiaram a depredação e violência, mas os prints já estavam eternizados.

Na noite anterior ao ato, o deputado cearense tuitou que estaria lá. Depois, em um vídeo no qual acusa o PT e o Psol de o denunciarem injustamente ao Supremo Tribunal Federal por “estimularem o golpismo e o terrorismo nas redes sociais”, Fernandes disse que pensava que seria apenas uma manifestação contra o presidente Lula, “algo comum em toda democracia” – exceto quando se trata de um protesto cujo objetivo é depor um presidente eleito por maioria dos votos por meio de uma intervenção inconstitucional.

No vídeo em que tenta limpar a própria barra, o deputado usou a estratégia bolsonarista de comparar manifestações legítimas da esquerda com os atos terroristas recentes, mas deixou de mencionar que comemorou quando os golpistas arrancaram a porta do gabinete do ministro do Supremo Alexandre de Moraes. No tuíte que apagou logo em seguida, ele postou a imagem e escreveu “quem rir vai preso”.

Já a deputada Clarissa Tércio apagou o vídeo em que exaltava a invasão aos prédios dos Três Poderes e, em seguida, postou o print de um tuíte do ex-presidente Jair Bolsonaro, também comparando manifestações legítimas da esquerda com os atos golpistas e se dizendo contra “qualquer ato de violência, vandalismo ou de destruição do patrimônio público, que venha ameaçar a nossa democracia”. Quando saiu a notícia da inclusão do seu nome no pedido de inquérito da Procuradoria-Geral da República, Tércio se defendeu, alegando que apenas postou um vídeo “pedindo oração” pelo país. O que as imagens mostram, porém, são os golpistas invadindo os prédios públicos.

Quem também apagou postagens foi a deputada Sílvia Waiãpi, assim como o colega Eros Biondini. Ela apagou três stories no Instagram em que comemorava a invasão dos golpistas. Em um deles, escreveu que os atos terroristas eram “o povo tomando o poder”. Embora tenha excluído as postagens, a deputada até agora não se manifestou contra os atos.

Já Biondini apagou do Facebook uma foto que mostrava os terroristas em Brasília com a legenda “a casa do povo”. Depois, postou que “os que invadem e destroem patrimônio público são criminosos e precisam ser identificados e punidos exemplarmente”, mas já era tarde demais.

A estratégia do deputado Evair de Melo, do PL do Espírito Santo, foi um pouco diferente. Em vez de apagar a postagem em que reproduzia a mentira da morte de uma idosa na quadra da Polícia Federal após a prisão de centenas de golpistas, ele apenas editou a legenda e disse que averiguaria depois a veracidade da informação. Embora a Polícia Federal já tivesse informado a verdade no dia anterior e o deputado tenha ido ao local onde estavam os detidos, ele não desmentiu a história no vídeo que publicou por volta das 16h do dia 10.

Repúdio tardio

Para o deputado federal Carlos Sampaio, do PSDB paulista, a ficha parece ter caído aos poucos. Na manhã do dia 9, ele escreveu no Twitter que entendia e compartilhava a “indignação de milhões de brasileiros que consideram a eleição de Lula como um retrocesso absoluto”. Somente quatro horas depois, por volta do meio-dia, ele voltou ao Twitter para se contrapor ao absurdo dos acontecimentos de forma mais enfática e escreveu que “violência e depredação de patrimônio público não são aceitáveis”.

Já o deputado Joaquim Passarinho, do PL do Pará, aparentemente demorou para entender o que claramente estava acontecendo – atos terroristas contra um governo eleito democraticamente. Pouco antes da invasão começar, ele tuitou que “o povo na rua é democracia em essência” . Somente perto das 17h, o deputado repudiou a “invasão de prédios públicos e depredação”, lamentando que os golpistas estivessem “produzindo provas contra eles mesmos” .

O Coronel Chrisóstomo e o Gerenal Girão, respectivamente do PL de Rondônia e do Rio Grande do Norte, só fizeram um pronunciamento enfático contra o terrorismo após a reportagem do Intercept , que apontou os 46 deputados federais que apoiaram ou minimizaram os atos golpistas . Os nomes deles constam no levantamento.

O coronel postou um vídeo cerca de três horas depois que a reportagem foi publicada, dizendo que não apoia nem concorda com vandalismo. Até então, ele tinha apenas comparado os atos terroristas com manifestações da esquerda e dito: “a direita do Brasil sempre terá meu apoio total. Contem comigo”.

General Girão defendeu ‘aplicação rígida da lei’ contra vândalos, mas só depois de criticar a existência de medidas de segurança no dia 8.

Na tarde do dia 8, pouco antes de ter início a depredação, o General Girão não parecia tão contrário às manifestações golpistas, pois criticou as medidas de segurança que eram adotadas naquela ocasião e escreveu no Twitter que estavam “transformando a proximidade da Praça dos Três Poderes/Brasília numa fortaleza medieval. E tudo porque precisam afastar o povo, o verdadeiro soberano do Brasil”. As imagens que todos acompanharam mostram que a segurança, na verdade, foi insuficiente.

Após a publicação da reportagem do Intercept, o discurso do general mudou e ele até defendeu a “aplicação rígida da lei contra quem vandalizou e depredou os Três Poderes”, mas continuou passando pano para quem estava “há 70 dias acampadas pacificamente nos quartéis” – outro ato golpista.

O levantamento do Intercept ainda mobilizou seis parlamentares citados a se manifestarem publicamente. A deputada Bia Kicis, do PL do Distrito Federal, o Coronel Meira, do PL de Pernambuco, e o Tenente Coronel Zucco, do Republicanos do Rio Grande do Sul, repudiaram a inclusão de seus nomes entre os defensores ou simpatizantes disfarçados e alegaram que nunca defenderam depredação e atos de vandalismo. A classificação, porém, foi feita com base em manifestações públicas dos próprios parlamentares.

Todos os citados da reportagem defenderam, incentivaram ou ao menos tentaram justificar de alguma forma os atos terroristas – com ou sem violência e depredação, ainda se tratava de uma manifestação antidemocrática, pois pretendia invalidar uma eleição legítima.

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    Schneier on Security Audiobook Sale

    news.movim.eu / Schneier · Monday, 16 January - 06:43

I’m not sure why, but Audiobooks.com is offering the audiobook version of Schneier on Security at 50% off until January 17.

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    Booklist Review of A Hacker’s Mind

    news.movim.eu / Schneier · Saturday, 14 January - 16:29

Booklist reviews A Hacker’s Mind :

Author and public-interest security technologist Schneier ( Data and Goliath , 2015) defines a “hack” as an activity allowed by a system “that subverts the rules or norms of the system […] at the expense of someone else affected by the system.” In accessing the security of a particular system, technologists such as Schneier look at how it might fail. In order to counter a hack, it becomes necessary to think like a hacker. Schneier lays out the ramifications of a variety of hacks, contrasting the hacking of the tax code to benefit the wealthy with hacks in realms such as sports that can innovate and change a game for the better. The key to dealing with hacks is being proactive and providing adequate patches to fix any vulnerabilities. Schneier’s fascinating work illustrates how susceptible many systems are to being hacked and how lives can be altered by these subversions. Schneier’s deep dive into this cross-section of technology and humanity makes for investigative gold.

The book will be published on February 7. Here’s the book’s webpage. You can pre-order a signed copy from me here .

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    PM do Distrito Federal é comandada por colegas de turma de homem de confiança de Bolsonaro

    news.movim.eu / TheIntercept · Friday, 13 January - 13:30 · 13 minutes

Q uando o coronel Julian Rocha Pontes furou a fila para tomar a vacina contra a covid-19 e, por isso, acabou demitido do comando da Polícia Militar do Distrito Federal, em abril de 2021, abriu-se uma oportunidade que políticos próximos ao presidente Jair Bolsonaro não deixaram passar.

Àquela altura, Júlio Danilo Souza Ferreira havia acabado de ser empossado como novo secretário de Segurança Pública do Distrito Federal. Ferreira é homem de confiança de Anderson Torres, seu antecessor no cargo – e, como ele, delegado licenciado da Polícia Federal. Torres tinha sido chamado havia poucos dias para ser ministro da Justiça de Bolsonaro. Com as bênçãos do governador Ibaneis Rocha, do MDB, aceitou o convite, mas cuidou de deixar o posto no governo do DF para seu antigo número dois , Ferreira. Que, nos primeiros dias no cargo, escolheu o coronel Márcio Cavalcante de Vasconcelos como novo comandante da PM.

Com Vasconcelos, em poucos dias a cúpula da corporação foi tomada por oficiais que têm com ele algo em comum. Todos foram colegas e são próximos, desde a Academia da Polícia de Brasília, de uma figura central do projeto de poder de Bolsonaro. Trata-se de Jorge Antônio de Oliveira Francisco, ex-ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República entre 2019 e 2020, em seguida nomeado ministro do Tribunal de Contas da União pelo presidente.

Jorge Oliveira, como é conhecido, é oficial da reserva da PMDF: entrou na corporação em 1993 como aluno do curso de formação de oficiais da Academia da Polícia de Brasília. Exigência imposta pela Constituição de 1988, a formação superior dos oficiais da PM começou no Distrito Federal em 1990. Oliveira foi, portanto, aluno da que é conhecida internamente como a “quarta turma” – oficialmente, a Turma Benjamin Constant . Nela, conheceu e se tornou amigo de Vasconcelos – e de outras figuras de destaque no falho esquema de segurança que permitiu os ataques terroristas de domingo, 8 de janeiro.

No meio militar, a turma em que se formam os oficiais é fundamental para entender as ligações, conexões e amizades entre eles, porque a progressão na carreira é feita por antiguidade. Assim, colegas que se formam juntos irão progredir juntos até o penúltimo degrau da carreira. Nas PMs, só a promoção para a patente de coronel, a mais alta, é feita por merecimento.

Ibaneis, Torres e Oliveira são figuras-chave para entender a influência não apenas do bolsonarismo, mas do próprio Bolsonaro na cúpula da PM do Distrito Federal ao longo de pelo menos a última década. Não se trata de uma polícia militar como outras quaisquer. Por ser responsável pela segurança da capital do país, sede dos Três Poderes e de dezenas de representações diplomáticas de todo o mundo, é financiada integralmente pelo governo federal – nada menos que R$ 10 bilhões estão previstos no orçamento para 2023. Com isso, é também a mais bem paga do país – o salário líquido médio é de quase R$ 10 mil mensais. Ainda assim, falhou miseravelmente – ou, ainda pior, se omitiu – em uma de suas principais missões.

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Amigos para sempre: reunião de colegas da quarta turma da Academia de Polícia de Brasília no 29o aniversário de formatura, em 2022.

Créditos.

Da PM ao Tribunal de Contas da União

A quarta turma da Academia da Polícia de Brasília se formou em 1995. Poucos anos depois, em 2003, o oficial Oliveira mergulhou na política. Tornou-se assessor parlamentar da PMDF na Câmara. Na prática, um lobista dos interesses da corporação no parlamento federal. Não demorou nada para que se tornasse íntimo do mais vocal defensor da pauta militar na casa: o então deputado federal Bolsonaro, que iniciava o quarto de seus sete mandatos na casa. Para além do alinhamento ideológico, havia uma questão familiar. O pai do policial, o capitão do Exército Jorge Oliveira Francisco, foi chefe do gabinete de Bolsonaro por longos 20 anos.

Em 2013, já formado em Direito, Oliveira pediu para ir à reserva – isto é, para se aposentar – da PM do Distrito Federal. Àquela altura, já era major, a terceira mais alta patente nas PMs. Mas não deixou a Câmara: foi contratado como assessor jurídico do gabinete de Bolsonaro.


A lealdade canina a Bolsonaro foi recompensada. Em 2019, o presidente não deixou Oliveira na mão e lhe entregou a chefia de gabinete do filho e deputado federal Eduardo – de quem também viria a ser padrinho de casamento. Mas ele não ficaria muito tempo com o 03. Em junho, Bolsonaro se lembraria de Oliveira quando teve de escolher seu terceiro ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência em menos de seis meses no cargo, procurando apagar a crise que se havia iniciado ainda em fevereiro com a demissão do primeiro deles, Gustavo Bebianno.

Assim, Oliveira virou ministro. Em pouco tempo, passou a ser visto em Brasília como o auxiliar com mais influência sobre o presidente . O que lhe rendeu, menos de um ano e meio depois, uma das cadeiras mais cobiçadas de Brasília: a de ministro do Tribunal de Contas da União, um cargo vitalício – e, novamente, por indicação de Bolsonaro. (No TCU, por ironia, ele substituiu outro personagem central dos ataques terroristas de domingo, o atual ministro da Defesa José Múcio Monteiro.)

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Jorge Oliveira, ladeado por Ibaneis Rocha (à esquerda) e o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.

Foto: Alan Santos/PR

Os homens de Oliveira

Empossado como comandante da PM do Distrito Federal em 3 de abril de 2021, o coronel Márcio Cavalcante de Vasconcelos não é apenas bom amigo de Jorge Oliveira. É também próximo de Anderson Torres e, segundo noticiou à época da nomeação o site Metrópoles, já havia feito “serviços de inteligência” para o governo Bolsonaro .

Em edição extra publicada poucos dias após sua nomeação, em 7 de abril de 2021, o comandante-geral da PM indicou novos ocupantes para seis postos-chave da corporação – o subcomando geral e os comandos do Estado Maior; do Departamento Operacional; do Departamentos de Controle e Correção; do Departamento de Logística e Finanças; do Departamento da Diretoria de Execução Orçamentária e de Finanças; e da Seção de Pessoal. Para todos eles, indicou colegas da quarta turma. A dele mesmo – e de Jorge Oliveira. Poucos dias depois, o ministro do TCU fez uma visita ao amigo que começava a comandar a PM.

Um desses nomes é extremamente relevante: o do coronel Jorge Eduardo Naime Barreto, escolhido por Vasconcelos para chefiar o Departamento Operacional da corporação. É a ele que cabe planejar operações especiais de segurança, como a que deu muito errado no domingo passado. (A favor do oficial, é preciso dizer que ele também esteve à frente da estratégia de policiamento em momentos sensíveis, como a posse de Lula e Geraldo Alckmin e os protestos golpistas de 7 de setembro de 2021 e 2022 em Brasília.)

Naime é mais um oficial cuja proximidade com Oliveira é patente. Foi recebido por ele para encontros fechados no TCU em duas ocasiões, em fevereiro e agosto de 2022 – novamente, sem que haja registro da pauta das reuniões.

Antes de chegar ao comando-geral da PM, Vasconcelos liderava uma área nevrálgica da Segurança Pública distrital: a Subsecretaria de Operações Integradas, conhecida pela sigla Sopi, diretamente subordinada a Torres. O antecessor de Vasconcelos na Sopi é outro personagem dessa história a colocar a PMDF na esfera de influência de Bolsonaro, o coronel Carlos Renato Machado Paim.

Paim embarcou no governo da extrema direita em abril de 2020, quando passou a ser secretário nacional da Segurança Pública , um dos cargos mais importantes do Ministério da Justiça. Foi nomeado por Walter Braga Netto , o general da reserva do Exército que tentaria ser vice-presidente na fracassada tentativa de reeleição de Bolsonaro. Àquela altura, Jorge Oliveira já era tido como o auxiliar mais próximo do presidente. Já ministro do TCU, ele recebeu no gabinete Paim, seu colega na quarta turma, em janeiro de 2022 . O portal da transparência não informa o motivo da reunião.

Pouco depois de Paim, chegou ao governo federal outro coronel da PMDF: André de Sousa Costa – este, da terceira turma, um ano veterana daquela de Oliveira –, tido como um dos oficiais mais radicais à direita da corporação. Em junho de 2020, ele ganhou o cargo de assessor-chefe adjunto na Assessoria Especial de Bolsonaro. Menos de um ano depois, em abril de 2021, foi promovido a chefe da Secretaria Especial de Comunicação Social, a Secom, do Ministério das Comunicações. Já na Secom, Costa também foi recebido por Oliveira em seu gabinete no TCU . Novamente, não se sabe qual a pauta da reunião.

Empossado na chefia da Secom, Costa mandou buscar outro coronel formado na quarta turma para ser seu braço direito como secretário-adjunto: Anderson Vilela. Foi mais um a se sentar para uma conversa privada e de teor não divulgado com Oliveira no TCU, em agosto de 2021 . Costa e Vilela também foram registrados, juntos, em visita à cúpula da TV Record , simpática ao governo Bolsonaro.

Além da provável influência em nomeações que envolvem PMDF, Oliveira é tido como um dos responsáveis pela ascensão de Anderson Torres ao grupo de auxiliares próximos de Bolsonaro. Os dois se conheceram na Câmara por volta de 2015, quando Torres foi ser chefe de gabinete do deputado federal Fernando Francischini, do União Brasil do Paraná, outro delegado bolsonarista da Polícia Federal que virou político ( ele acabou cassado por distribuir mentiras sobre as urnas eletrônicas).

Àquela época, Torres estava desgastado na PF por ter sido acusado de sequestrar e torturar os suspeitos de terem assaltado colegas da corporação. Assim, viu na política – e, logo, em Bolsonaro, para quem Oliveira já trabalhava – sua chance de crescer. Com a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça, em 2020, Oliveira trabalhou para fazer de Torres o novo delegado-geral da Polícia Federal. Aquela tentativa não vingou, mas ele acabaria ministro quando o sucessor de Moro, o terrivelmente evangélico André Mendonça, ganhou uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Por isso, tornou-se um soldado fiel de Bolsonaro, disposto até a melar eleições pelo chefe (ou, no mínimo, fingir que não viu, o que é crime de prevaricação para quem ocupava seu posto).

Via assessoria de imprensa do TCU, perguntei a Jorge Oliveira quais foram as pautas das reuniões com os colegas da PMDF em seu gabinete, e porque elas foram omitidas, o que contraria a lei. Questionei-o, ainda, sobre sua eventual interferência nas nomeações de oficiais para o comando da PMDF e de policiais da corporação para cargos de indicação política no governo Bolsonaro. Ele respondeu que não faria comentários.

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Anderson Torres e Bolsonaro: uma proximidade pavimentada por Jorge Oliveira.

Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Chega o interventor – mas a quarta turma fica

Em abril do ano passado, o coronel Vasconcelos deixou o comando da PM para se aventurar na política. Resolveu erguer a bandeira da truculência policial em busca de uma mandato parlamentar. Candidato a deputado federal pelo MDB de Ibaneis Rocha, fez pífios 3.363 votos e acabou suplente da bancada. (Para efeitos de comparação, Alberto Fraga, do União Brasil, um ex-oficial da PM distrital que é deputado federal desde 1999 e fundador da bancada da bala, teve 28.825 votos e quase não conseguiu renovar seu mandato.)

Para o lugar, Ibaneis e o secretário Ferreira mandaram buscar o coronel Fábio Augusto Vieira , que estava no comando da Sopi após a promoção de Vasconcelos. Vieira é mais um colega de Oliveira na quarta turma da Academia de Polícia. Após os ataques terroristas de domingo, foi um dos que tiveram a prisão decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Já Anderson Torres, que havia voltado ao comando da Secretaria de Segurança Pública após o fim do governo Bolsonaro, fugiu para os Estados Unidos um dia antes dos ataques aos Três Poderes. Também por ordem de Moraes, será preso assim que pisar no Brasil. Na casa dele, a Polícia Federal encontrou um esboço de documento que serviria para Bolsonaro melar a eleição. No Twitter, Torres anunciou em 10 de janeiro que voltará ao país para se entregar e cuidar de sua defesa .

A cordialidade com que a PM assistiu Brasília ser destruída no domingo levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a decretar, ainda naquele dia, intervenção federal na Secretaria de Segurança Pública de Júlio Danilo Ferreira (horas depois, o ministro Moraes também afastou Ibaneis Rocha do cargo de governador por ao menos 90 dias).

Nomeado interventor, o jornalista Ricardo Cappelli chegou já com a missão de nomear um sucessor para o coronel Vieira. A escolha dele foi conservadora: o coronel Klepter Rosa Gonçalves, primeiro na linha da sucessão – era, desde outubro passado, o subcomandante-geral da corporação. Klepter é mais um oficial formado na quarta turma e havia sido alçado pelo coronel Vasconcelos, em 2021, a chefe do Departamento de Gestão de Pessoal.

No mesmo decreto em que levou Klepter ao comando da PM, o interventor Cappelli retirou do coronel Naime a chefia do Departamento Operacional. Outros oficiais subordinados a ele também caíram, entre eles o coronel Paulo José Ferreira de Sousa Bezerra, o número dois do departamento.

‘Tenho plena confiança nas forças de segurança do Distrito Federal, diz o interventor.

Dois experientes coronéis da PM do Distrito Federal com quem conversei para esta reportagem veem como um problema a hegemonia de uma turma da Academia de Polícia no comando. Argumentam, com a ressalva de se tratarem de visões pessoais, que a convivência entre oficiais de gerações diferentes enriquece a corporação, e que dificilmente uma só turma terá os policiais mais preparados para chefiar as diferentes áreas e especialidades da atividade. Entre os 30 coronéis em atividade na corporação, há oficiais formados em quatros diferentes turmas – da segunda, de 1991, à quinta, de 1994.

Enviei à PMDF questões sobre a proeminência da quarta turma de oficiais e sua relação com Jorge Oliveira, mas ouvi, numa resposta por telefone, que a corporação não iria comentar o caso por estar sob intervenção. Já o interventor Cappelli, que recebeu as mesmas perguntas, respondeu o seguinte: “Tenho plena confiança nas forças de segurança do Distrito Federal”.

Seja como for, apurar qual a influência de Jorge Oliveira, braço direito de Jair Bolsonaro, sobre os oficiais que foram colegas dele e comandavam a tropa nos atos de domingo não será a única missão do interventor Cappelli. André de Sousa Costa e Anderson Vilela, os dois coronéis da quarta turma que passaram pela Secom de Bolsonaro, retornaram à PM e podem ser reintegrados à tropa. (Carlos Renato Machado Paim, que passou pelo Ministério da Justiça, já foi para a reserva.)

Mas debelar a influência de Jair Bolsonaro na Polícia Militar do DF é uma tarefa que dificilmente será realizada em curto prazo.

Colaborou: Guilherme Mazieiro

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    Friday Squid Blogging: How to Buy Fresh or Frozen Squid

    news.movim.eu / Schneier · Thursday, 12 January - 21:41

Good advice on buying squid. I like to buy whole fresh squid and clean it myself.

As usual, you can also use this squid post to talk about the security stories in the news that I haven’t covered.

Read my blog posting guidelines here .

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    Veja quem são os 46 deputados federais que defenderam ou minimizaram o terrorismo em Brasília

    news.movim.eu / TheIntercept · Thursday, 12 January - 17:25 · 8 minutes

Um levantamento feito pelo Intercept identificou 46 deputados federais eleitos em 2022 que defenderam, incentivaram ou ao menos tentaram justificar de alguma forma os ataques terroristas do último domingo. Dez deles apoiaram abertamente os golpistas, como se eles se manifestassem por causas legítimas; 24 procuraram disfarçar o apoio, minimizando os protestos, desviando o foco das acusações ou culpando “infiltrados de esquerda”; e outros 12 foram contrários às prisões dos terroristas, chegando a alegar a ocorrência de violações – não comprovadas – de direitos humanos.

A lista poderia ser bem maior, pois vários parlamentares endossaram um tuíte de Jair Bolsonaro relativizando os atos. Destacamos, no entanto, apenas os casos mais expressivos, como os deputados que, mesmo tendo repudiado os atos oficialmente, divulgaram mensagens que colocam em dúvida se o repúdio foi genuíno.

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Gráfico: The Intercept Brasil

Independentemente da estratégia utilizada no momento de se pronunciarem publicamente sobre o terrorismo, todos os deputados citados deixaram de lado a defesa irrestrita da democracia. Boa parte dos parlamentares bolsonaristas que criticaram os atos de domingo só o fizeram por causa do vandalismo e da violência. No entanto, mesmo que o protesto tivesse sido pacífico, ainda seria antidemocrático, assim como eram os acampamentos na frente dos quartéis. Afinal, a motivação dos golpistas sempre foi contrariar o resultado de uma eleição e impor sua vontade contra a da maioria dos brasileiros.

Entre os defensores do terrorismo, está o deputado Sargento Gonçalves, do PL do Rio Grande do Norte. Em um vídeo publicado em suas redes sociais, ele mandou uma mensagem para os “policiais militares de todo o Brasil, em especial aos policiais integrantes das forças de segurança pública do Distrito Federal”, pedindo que eles tivessem “muita sabedoria e serenidade, muita cautela na hora de agir contra os cidadãos que invadiram o Congresso Nacional”. O deputado que incentiva os policiais a serem coniventes com a depredação dos prédios públicos dos Três Poderes defendeu que os invasores “não são bandidos”. O Sargento Gonçalves também postou um vídeo do momento em que a multidão invadia o Congresso Nacional e escreveu na legenda que “todo poder emana do povo”.

Gráfico: The Intercept Brasil

Outro defensor dos atos golpistas foi o cearense André Fernandes, do PL. Pouco antes da meia-noite de sábado para domingo, ele postou no Twitter que ia acontecer, na Praça dos Três Poderes, “o primeiro ato contra o governo Lula” e avisou que estaria lá. Depois, publicou uma foto da porta do gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que foi arrancada pelos terroristas, e escreveu na legenda: “quem rir vai preso”. Após a má repercussão, o deputado negou que estivesse no protesto e excluiu as postagens.

Quem também está no grupo dos defensores é a deputada bolsonarista Silvia Waiãpi, do PL do Amapá. Ela publicou ao menos três vídeos mostrando os golpistas em ação. Um deles é do momento em que um policial da cavalaria é derrubado e seu cavalo é ferido com barras de ferro.

Outros deputados federais que defenderam abertamente o terrorismo de domingo foram o monarquista Luiz Philippe de Orleans e Bragança e o delegado Paulo Bilynskyj, ambos do PL de São Paulo. De Pernambuco, temos a deputada Clarissa Tércio, do PP, e o Coronel Meira, do PL. Bia Kicis e José Medeiros, respectivamente do PL do Distrito Federal e do Mato Grosso, também estão na lista, assim como Ricardo Barros, ex-ministro da Saúde de Michel Temer e ex-líder do governo Bolsonaro na Câmara, do PP do Paraná. Em uma entrevista para a CNN , Barros apoiou a ação dos terroristas. “As pessoas estão aí de cara limpa, não estão encapuzadas. Por que isso? Porque elas acham que a eleição foi roubada”, disse.

Muitos deputados federais publicaram notas de repúdio contra os protestos violentos, mas várias de suas postagens nas redes sociais revelam que eles são, na verdade, simpatizantes disfarçados do terrorismo. Eduardo Bolsonaro, por exemplo, postou no Instagram o print de um tuíte do pai. O ex-presidente Jair Bolsonaro, que fugiu para os Estados Unidos às vésperas da posse de Lula, criticou as “depredações e invasões de prédios públicos”, comparando manifestações legítimas da esquerda com os atos golpistas de domingo. A postagem também foi reproduzida por vários deputados bolsonaristas.

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Gráfico: The Intercept Brasil

Dos 24 simpatizantes disfarçados, 17 são do PL, partido que falhou em reeleger Bolsonaro em outubro. Um desses parlamentares é o mineiro Nikolas Ferreira, deputado mais votado do Brasil. Os demais são do PSDB, Novo, MDB, União Brasil, PP, Avante e Republicanos. Entre eles, estão os que culparam o Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes ou o próprio Congresso pelos atos violentos. Um exemplo é o deputado federal Vicentinho Júnior, do PP de Tocantins. Ele gravou um vídeo colocando em dúvida a já comprovada segurança das urnas eletrônicas e insistindo na falácia do voto impresso .

O levantamento identificou também 12 deputados federais que defendem impunidade para terroristas e quem atenta contra a democracia, principalmente os que estavam acampados no Quartel-General do Exército em Brasília e foram levados para a Academia Nacional da Polícia Federal. Eles alegam que os direitos humanos dessas pessoas estão sendo desrespeitados e chegam ao cúmulo de comparar o local para onde elas foram conduzidas a “campos de concentração” nazistas.

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Gráfico: The Intercept Brasil

O deputado Osmar Terra, do MDB do Rio Grande do Sul, chegou a divulgar a falsa informação de que uma idosa havia morrido. Terra é ex-ministro do Desenvolvimento Social de Temer e ex-ministro da Cidadania de Bolsonaro. Já o deputado Carlos Jordy, do PL do Rio de Janeiro, acusou o presidente Lula, o ministro da Justiça Flávio Dino e o “Xerife” – apelido que bolsonaristas deram a Alexandre de Moraes – de “abuso de autoridade”.

A Polícia Militar do Distrito Federal conduziu mais de 1,5 mil pessoas suspeitas de envolvimento no terrorismo protagonizado por bolsonaristas no último domingo. De acordo com a Polícia Federal, todos os detidos receberam “alimentação regular (café da manhã, almoço, lanche e jantar), hidratação e atendimento médico quando necessário”. Várias entidades, como a Ordem dos Advogados do Brasil, acompanham os procedimentos.

Após os trâmites realizados pela Polícia Federal, os presos foram apresentados à Polícia Civil e encaminhados ao Instituto Médico Legal. Segundo balanço divulgado na tarde de terça-feira, dia 10, 527 pessoas foram presas e 599 foram liberadas por questões humanitárias, “em geral idosos, pessoas com problemas de saúde, em situação de rua e mães acompanhadas de crianças”.

Ainda na tarde de terça, políticos do PSOL pediram ao ministro Alexandre de Moraes a inclusão de 11 parlamentares no inquérito do STF que investiga os atos antidemocráticos. Seis deputados federais denunciados estão no levantamento feito pelo Intercept – André Fernandes, Ricardo Barros, Carlos Jordy, Silvia Waiãpi, Clarissa Tércio e José Medeiros. Os demais são o senador Magno Malta, do PL do Espírito Santos, e os deputados estaduais Júnior Tércio, do PP de Pernambuco, e Sargento Rodrigues, Coronel Tadeu e Ana Campagnolo, respectivamente do PL de Minas Gerais, de São Paulo e de Santa Catarina. Todos são acusados de estimular o golpismo e o terrorismo nas redes sociais.

Quem foi além e chegou a marcar presença nos atos terroristas foi a suplente de deputado federal Pâmela Bório, do PSC da Paraíba. Imagens divulgadas no seu próprio Instagram, depois apagadas, mostram que ela subiu no telhado do Congresso. A ex-esposa do ex-governador Ricardo Coutinho, do PT, aparece nos vídeos acompanhada do filho, que é menor de idade.

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Mapa: The Intercept Brasil

Segundo João Paulo Martinelli, advogado e doutor em Direito pela USP, os parlamentares que estimularam abertamente a participação em atos terroristas podem ser responsabilizados, mas o processo até a punição é longo. “Em âmbito criminal, o uso da violência ou grave ameaça com intuito de abolir o estado democrático de direito e depor o governo legitimamente constituído é considerado crime contra as instituições democráticas, previsto no artigo 359 do Código Penal. Já o artigo 287 trata da apologia ao crime ou ao criminoso”, explicou o jurista. Nesse caso, a denúncia teria que ser oferecida ao STF pelo procurador-geral da República, o bolsonarista Augusto Aras.

Já na esfera administrativa, a denúncia pode se dar por quebra de decoro parlamentar, ou seja, pelo comportamento inadequado de um deputado. Qualquer cidadão tem o direito de fazer uma denúncia ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados, desde que um partido político assine a representação. Depois disso, há um trâmite interno que pode culminar na votação em plenário pela cassação do parlamentar. Para isso, é preciso que ao menos 257 deputados votem pela perda do mandato.

Na quarta-feira, dia 11, a Procuradoria-Geral da República solicitou ao STF a abertura de inquérito contra os deputados federais Clarissa Tércio, André Fernandes e Silvia Waiãpi, devido às postagens feitas por eles nas redes sociais. No mesmo dia, advogados que fazem parte do Grupo Prerrogativas solicitaram ao ministro Alexandre de Moraes uma medida cautelar para impedir a posse dos deputados federais Carlos Jordy, Silvia Waiãpi, André Fernandes e Nikolas Ferreira, prevista para 1º de fevereiro. O pedido se estende aos deputados estaduais Sargento Rodrigues, do PL de Minas Gerais, e Walber Virgolino, do PL da Paraíba. O documento pede, ainda, a instauração de inquérito policial para apurar a responsabilidade penal dos parlamentares.

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    Golpistas transmitiram lives por mais de quatro horas sem serem derrubados pelo YouTube ou Meta

    news.movim.eu / TheIntercept · Thursday, 12 January - 13:30 · 3 minutes

Um relatório da ONG SumOfUs, que monitora big techs, afirma que as plataformas de redes sociais facilitaram a distribuição de conteúdo sobre os ataques dos terroristas em Brasília no último domingo — incluindo a incitação explícita à violência. Houve ainda, como de costume, monetização dessas publicações criminosas, permitindo que os donos das páginas – e as próprias plataformas – lucrarem com as postagens.

Os pesquisadores encontraram influenciadores golpistas que chegaram a transmitir os ataques e o vandalismo por horas – alcançando uma audiência de milhões de visualizações em apenas um dia. Outro, mostra o relatório, transmitiu os atos terroristas por cinco horas, chegando a 600 mil visualizações em um dia, se espalhando pelas plataformas da Meta – Facebook e Instagram – e também no Twitter, TikTok e Telegram. Tudo monetizado.

A ONG já havia alertado as plataformas sobre a profusão de conteúdos potencialmente danosos à democracia brasileira nos atos golpistas de 7 de setembro do ano passado, como reportou o Intercept . Na época, a diretora de campanha da ONG Flora Rebello sentenciou: “é como se estivéssemos revivendo o cenário criado em 6 de janeiro nos Estados Unidos”. “A Meta está ajudando ativamente a mobilizar um exército online no Brasil responsável pela disseminação de teorias conspiratórias sobre a integridade das eleições e que ameaça dar um golpe violento”, ela alertou. Foi exatamente o que aconteceu.

Desta vez, mostra o relatório, o Google e a Meta permitiram que extremistas transmitissem os atos violentos ao vivo, incitando que mais pessoas participassem dos ataques. Muitos deles seguiram pedindo golpe depois das publicações. Anúncios foram exibidos sem restrição. “O Google, assim como os influenciadores, lucrou com toda a confusão em Brasília”, diz o relatório.

Canal transmitiu ato terrorista por quatro horas ininterruptas.

Canal transmitiu ato terrorista por quatro horas ininterruptas.

Foto: Reprodução/YouTube

O canal Política sem Curva, com 77 mil seguidores, foi um dos que transmitiu os ataques por mais de quatro horas sem incômodo. No vídeo, o influenciador extremista Genival Fagundes – candidato derrotado a deputado federal pelo PL goiano em 2022 – afirmava que as pessoas “haviam perdido a paciência” e estavam “tomando o poder de volta”. “É vandalismo quando as pessoas retomam sua própria casa? Claro que não”, ele chegou a dizer.

A live foi retransmitida em seu Facebook. Na descrição, ele pedia doações e convidava os seguidores para outras redes sociais. O vídeo golpista também exibiu anúncios. Agora, o canal está suspenso no YouTube, mas sua página no Facebook segue no ar.

golpistas-vv8

Print mostra transmissão da invasão ao STF. Golpista posa com a foto da porta do gabinete de Alexandre de Moraes.

Foto: Reprodução

Outro canal, o VV8.TV, também exibiu as cenas explícitas de terrorismo sem problemas. A transmissão teve quase 1 milhão de visualizações antes de ser derrubada pelo Google. O vídeo também foi monetizado. O relatório cita ainda outros três canais que transmitiram a tentativa de golpe e foram remunerados por isso: Didi Red Pill, Andreia Luiza Matias e Jornal Bunker. Todos seguem no ar.

Os conteúdos golpistas de domingo só começaram a ser derrubados pelas plataformas depois da decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes que obrigou as empresas a removerem os conteúdos golpistas, com multa de R$ 100 mil em caso de descumprimento. Ainda é possível, no entanto, encontrar essas publicações que apoiam e incitam mais atos.

O potencial de viralização das redes fez com que alguns poucos posts conseguissem uma audiência massiva, espalhando o golpismo livremente. Só no Facebook, dois posts angariaram mais de 500 mil visualizações. No TikTok, outros quatro vídeos conseguiram 3 milhões. No Telegram, apenas três mensagens chegaram a 138 mil.

Na conclusão, a ONG pede que as autoridades brasileiras investiguem o papel das redes sociais nos ataques do último domingo, assim como o banimento dos perfis que postaram conteúdos incitando o golpe, além da extradição dos influenciadores de extrema-direita que fugiram para os EUA e continuam propagando livremente desinformação e conteúdo pró-golpe.

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